Da Redação
Líderes do Grupo dos 20 (G-20, que reúne os países ricos e os principais emergentes) devem alertar neste fim de semana, durante a reunião do grupo em Toronto (Canadá), que a recuperação global permanece desigual e frágil, de acordo com o rascunho de um documento ao qual a imprensa teve acesso. No documento, obtido pelo Greenpeace (ONG de defesa do meio ambiente), os líderes do G-20 comentaram que a recuperação da pior crise econômica das últimas décadas é irregular. Enquanto muitos países estão voltando a crescer, a recuperação é desigual e frágil, e o desemprego continua em níveis inaceitáveis, diz o texto.
Em relação a um polêmico assunto envolvendo os Estados Unidos e a Europa, os líderes devem afirmar que estímulos econômicos ajudaram a estabilizar a economia global. O governo norte-americano tem solicitado à Europa que não corte gastos governamentais antes que a recuperação esteja garantida, por receios de que isso leve o mundo - incluindo os Estados Unidos - a uma nova recessão.
Os países da Europa, liderados pela Alemanha, França e Reino Unido, argumentam que são necessários cortes drásticos para colocar suas finanças públicas em ordem e criar uma base sólida para um crescimento futuro. Estímulos fiscais e monetários têm ajudado a restaurar a demanda privada e a disponibilidade de crédito, e nós estamos tomando medidas importantes para aumentar a estabilidade dos nossos sistemas financeiros, diz o texto, bastante incompleto.
Os líderes do G-20 também devem pedir aos ministros de Comércio Exterior para avançarem com a finalização das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), que estão muito atrasadas. Nós instruímos nossos ministros de Comércio Exterior a preparar uma avaliação completa da atual situação das negociações e elaborar um plano que nós iremos avaliar na reunião do G-20 em Seul (capital da Coreia do Sul) em novembro deste ano, diz o documento.
O G-20 deve avançar com plano para identificar subsídios ineficientes para combustíveis fósseis que encorajam um consumo exagerado, informa o documento. Nós concordamos em continuar trabalhando para desenvolver medidas voluntárias e específicas para cada país para a racionalização e o encerramento gradativo de tais medidas.
Já o Banco Mundial (Bird) vai exortar os participantes do G-20 a não permitir que as demandas imediatas de conter a crise da dívida soberana os desviem da necessidade de promover um crescimento sustentável no longo prazo. Em relatório preparado para Toronto, o Bird diz que os países mais avançados devem fomentar uma economia mundial multipolar e assegurar que mais gente não caia na pobreza.
Ao invés de ver as dificuldades europeias com a dívida como a etapa seguinte da crise financeira global, o Banco Mundial sugere que a economia global está diante de um período no qual o principal desafio será o crescimento sustentável. Até agora, o mundo focalizou a contração fiscal e a dívida, mas isso é somente metade da história, diz o relatório.
O mundo e a Europa também precisam voltar a um crescimento robusto. Sem isso, os ajustes fiscais serão mais dolorosos e as políticas serão menos administráveis, afirma o texto.
Alemanha e o euro
A Alemanha está conduzindo a zona do euro para a deflação e ameaçando o futuro do euro, disse o megainvestidor grego George Soros em entrevista publicada ontem no jornal alemão Die Zeit. A política alemã é perigosa para a Europa. Pode destruir o projeto europeu, disse Soros.
Segundo ele, a ênfase alemã no déficit estatal e nos níveis de dívida é equivocada e a Alemanha deveria se concentrar em estimular o crescimento ao invés de tratar os limites fiscais do Tratado de Maastricht (Tratado da União Europeia) com reverência religiosa.
Na realidade, não há crise de moedas ou de orçamentos na Europa, como muitos pensam, mas ao invés disso, há uma crise bancária, acrescentou. No momento, os alemães estão direcionando seus vizinhos para a deflação: há a ameaça de um longo período de estagnação e isso pode conduzir ao nacionalismo, ao descontentamento social e à xenofobia. Isso é uma ameaça à democracia, disse o investidor.
Soros é a mais recente voz vinda dos EUA a se juntar ao coro dos críticos contra a política alemã, que estaria prejudicando os esforços internacionais para recuperar a economia global da crise financeira de 2008. Em antecipação ao encontro do G-20, Barack Obama expressou preocupações de que a recuperação possa estar se enfraquecendo.
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