Brasil tem expansão maior que Índia, mas perde para outros asiáticos

Ronaldo D'Ercole e Henrique Gomes Batista

Apesar de recorde, o crescimento do Brasil no primeiro trimestre foi superado pela expansão de outras economias asiáticas. A alta de 9% do PIB brasileiro foi menor que a de Cingapura (15,5%), Taiwan (13,3%), Tailândia (12%), China (11,9%) e Malásia (10,1%). Com isso, o país ocupa o quinto posto entre as economias que mais crescem no ano. O país superou a Índia (8,6%) e é o segundo entre os Brics — grupo que reúne os quatro grandes emergentes —, já que o PIB russo subiu 4,5% no trimestre.

— A comparação internacional mostra o Brasil em boa posição.

Crescendo menos que China, mas mais que Índia. Estamos na média dos Brics e muito acima de várias nações — diz Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

João Pedro Ribeiro, economista da Consultoria Tendências, faz uma ressalva: — O Brasil este ano estará entre os países que mais crescem no mundo, em parte, porém, ajudado pelo efeito estatístico sobre o fraco desempenho da sua economia em 2009 (quando o PIB encolheu 0,2%).

Entre os vizinhos sul-americanos, o Peru registrou o crescimento mais próximo do Brasil: 8,8% entre janeiro e março. A economia chilena cresceu apenas 1% no período, enquanto a da Venezuela amargou uma retração de 5,8%. A Argentina, principal parceiro do Brasil na região, ainda não divulgou seus números.

— É nítido, ao vermos o tombo da Venezuela, que ela está pagando o preço de seu casamento com a heterodoxia — diz Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV.

Já o México mostrou sinais de recuperação, com avanço de 4,3% no trimestre, mas deve seguir a recuperação moderada da economia americana, de 2,5% no mesmo período. Para Ribeiro, da Tendências, a Europa está em situação pior e deve crescer menos que os EUA nos próximos dois anos, pelo menos. E até o fim de 2010 ele vê o Brasil devolvendo seu posto à Índia: — O Brasil tem limitações de infraestrutura e de investimentos, e não tem como sustentar a taxa de 9% no ano.

Tomando as últimas projeções de crescimento do Fundo Monetário Internacional (FMI), de abril, o Brasil deve encerrar 2010, quando termina o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, como a oitava maior economia do mundo, com PIB da ordem de US$ 1,91 trilhão. Talvez um pouco mais, já que o FMI já informou que deve rever as projeções para algumas economias, particularmente a brasileira, atualmente de expansão de 5,5%.

O Globo