Ministro nega intenção de retaliar Argentina por barreira informal

O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, negou ontem, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o governo brasileiro esteja preparando uma retaliação às barreiras informais impostas pela Argentina à importação de alimentos brasileiros. São poucos os caminhões parados na fronteira, e isso acontece por questões burocráticas. Não podemos dizer que há uma barreira.

O ministro afirmou que se encontrou com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante a visita que fez a Espanha na semana passada, e que o assunto foi tratado no encontro. Ela me garantiu que não há qualquer tipo de problema com os produtos brasileiros. Mas é claro, se qualquer país, seja ele qual for, quiser levantar barreiras para impedir a entrada de produtos brasileiros, nós trataremos esse país da mesma forma como somos tratados, afirmou o ministro.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Welber Barral, disse ontem que o governo solicitou à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e às associações setoriais que informem se está havendo cancelamento de pedidos de importação para a Argentina e quais são os motivos. O secretário disse que o governo tem recebido reclamações dos empresários de que a Argentina estaria cancelando pedidos em função da solicitação do secretário de comércio interior daquele país, Guilhermo Moreno, para que haja uma redução das importações de alimentos, não só do Brasil, mas de todos os países.

Barral disse que, até o momento, o Brasil não recebeu nenhuma informação oficial da Argentina sobre esses rumores de que há uma barreira informal do governo argentino para evitar a entrada de alimentos do Brasil. Ele, no entanto, garantiu que, se o comércio brasileiro for prejudicado, o Brasil adotará retaliações. O Brasil trata todos os parceiros comerciais com base na reciprocidade, disse.

Segundo ele, mais importante do que o volume de produtos importados da Argentina que o Brasil pode retaliar é a sensibilidade do produto para a economia argentina. Atualmente, segundo o secretário, pouco mais de 30 produtos que são importados da Argentina foram colocados no sistema de licença não automática pelo Brasil. Embora o Brasil tenha até 60 dias para liberar esses pedidos, a autorização está sendo dada, em média, em uma semana.

Barral disse que a possibilidade de a Argentina limitar a importação de alimentos é motivo de preocupação e que o ministério tem recebido informes diários das aduanas para saber se há dificuldades na entrada de produtos brasileiros no vizinho.

DCI