Atualmente, em todo o mundo, os geossintéticos desempenham um papel fundamental nas obras de infra-estrutura civil. Em 1960 eles simplesmente não existiam e em 1970 poucos engenheiros os conheciam. Já em 1980, muitos profissionais já os conheciam mas a maioria relutava em utilizá-los — havia a “crença” de que o único fornecedor de materiais geotécnicos era a própria natureza!

No Brasil deste início de século, muitos engenheiros conhecem e utilizam os geossintéticos. Em 2003, colocávamo-nos como o décimo país do mundo em número de filiados à International Geosynthetic Society (IGS), produzindo 23 dos 316 trabalhos apresentados na VII International Conference on Geosynthetics - Nice - França.
Apesar da grande experiência acumulada nas últimas décadas, as nossas condições territoriais, econômicas e sociais, têm retardado a disseminação destas informações.
Assim, a Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos (ABINT), juntamente com 26 engenheiros especialistas, decidiu desenvolver o projeto do Manual Brasileiro de Geossintéticos - MBG, cujo principal objetivo consiste na difusão do atua estado de arte dos geossintéticos para todo o Brasil, procurando demonstrar a facilidade de utilização e a eficiência que esses produtos podem proporcionar às nossas obras de engenharia.
Neste cenário, o MBG se constitui na primeira obra dedicada exclusivamente ao tema no Brasil, oferecendo importante contribuição à divulgação das técnicas de uso dos geossintéticos, ainda pouco exploradas entre nós, orientando e conscientizando desde estudantes até engenheiros nas fases de projeto, especificação e implantação em obra.
Nesta primeira edição, abordam-se suas principais utilizações, sempre de uma forma simples e objetiva. Os textos foram desenvolvidos pelos mais renomados profissionais de geotecnia no Brasil e tratam da especificação de geossintéticos em obras de reforço de solos, filtração, drenagem, separação de materiais, proteção mecânica, adensamento de solos, restauração de pavimentos, erosão e impermeabilização.
Não se pretende que o MBG, em sua primeira edição, seja completo e definitivo.
Outras edições certamente virão, pois o desenvolvimento dos mercados, das aplicações e dos produtos irá exigir um grande esforço de todo o meio técnico para o constante aperfeiçoamento tecnológico dos geossintéticos.



Eng. José Carlos Vertematti
Coordenador

LINK